segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Eduardo & Mônica


 Resultado de imagem para amor no metro


Eduardo & Mônica



Há momentos na vida que você se vê defronte a uma encruzilhada e não sabe qual caminho tomar, O arbítrio é todo seu. Qualquer que seja a sua decisão, percalços  sempre haverá. Talvez depois lá na frente você fique imaginando o quão seria tudo tão diferente se tivesse optado pelo outro caminho.
A jovialidade explodia por todos os seus sentidos. Naquela altura do tempo, aos 21 anos de idade ele já tinha experimentado quase todos os prazeres que  a vida poderia lhe oferecer , ou pelo menos,  a consciência que ele tinha do que era prazer.
Contudo não se podia dizer que não era um bom rapaz. Havia terminado os estudos recentemente  e já estava trabalhando numa multinacional que lhe remunerava muito bem.
Um dia quando já voltava do trabalho, adentrou no metrô  a coisa mais linda que ele jamais tinha visto. Dirigiu-lhe um tímido olhar pra pedir licença e assentar-se ao lado dele.
Aquele perfume que estava ali bailando ao seu lado  mexia muito com todos os seus sentidos. Ele sabia que precisava descobrir quem ela era. Afinal naquela cidade enorme  nem sempre você reencontra as pessoas que às vezes você  vê.
-Aceita um chocolate? Perguntou-lhe enquanto tirava dois  bombons do bolso.
 -Obrigado, vou aceitar sim. Já estou ficando com fome. Não vejo a hora de chegar em casa.
-Qual é mesmo o seu nome,  perguntou-lhe após breves instantes.
-Monica, respondeu ela.
-Eu me chamo  Eduardo,  disse ,  enquanto sorria e lhe estendia as mãos trêmulas.
A canção “Eduardo e Monica” da  Legião Urbana  veio rapidamente na mente dos dois, embora nenhum deles mencionasse isso naquele momento.
-A próxima parada é a minha, sugeriu Monica. A gente se vê por aí
Eduardo ficou ali boquiaberto vendo a garota saindo pela porta do metrô. Ainda faltavam  duas  paradas pra que ele pudesse chegar a sua casa.
Nos dias que se sucederam Eduardo não teve  mais a sorte de ver Monica. A garota não saia de sua cabeça.
As viagens de ida e volta para o trabalho  tomaram uma importância tão grande. Ele ficava buscando nas estações e nas pessoas que entravam e saiam do trem a presença de Monica.
Até que um dia ela veio, chegou naquele sorriso encantador e sentou-se ao seu lado.
Foi como se já se conhecessem há séculos. A saudade havia  visitado aqueles dois corações. Monica lhe confidenciou que também pensou nele o tempo todo. Foi então neste mesmo dia que  decidiram tirar  um tempo para os dois, afinal a vida é tão curta.
Não passava das oito horas da noite. Eduardo deu-lhe o número do seu telefone e  disse que iria pra casa buscar o carro  a fim de que pudessem sair.  Como morava em bairro próximo Eduardo propôs que  se ela quisesse  poderia pegá-la em casa.
E tudo  começou assim, um jantar, muitas palavras, muitos planos e muitos  gestos de amor. Aquela noite foi como se vivessem anos de namoro e de  noivado. Ah! Tempo, tempo! Pudéssemos às vezes prolongar momentos felizes.
Já se passava das 2 horas da madrugada quando deixaram o motel. Havia nos seus corações a certeza que tinham encontrado um grande amor.
Seguia o carro por uma  rua deserta quando de repente  alguns rapazes mascarados e de moto se  acercaram e  obrigaram que parasse. Não havia dúvidas que  se tratava de um assalto. Não é seguro em grandes cidades circular altas horas da noite.
Eduardo desceu do carro, levou as mãos à cabeça. O que faria agora?
Os rapazes mascarados começaram a dirigir gracejos impróprios pra Monica que tremia toda dentro do carro.
Num impulso, prevendo acontecer o pior, na ânsia de proteger sua amada, deu um golpe  naquele que lhe apontava uma  arma. O bandido num instante desvencilhou-se do golpe que lhe aplicara Eduardo e deu-lhe de troco  um tiro a queima roupa no peito.
 Neste ínterim um carro de policia que por ali passava, ouvindo o estampido do tiro,  seguiu em direção a eles.
Os mascarados apavorados trocando tiros com os policiais saíram em suas motos numa tresloucada carreira.

Monica chorava desesperada. Eduardo estava morto

Uma sonolência lhe invadia tanto que ele mal conseguira abrir os olhos. Uma calma imensa lhe invadia todo seu ser. Sim, em  sua mente voltava aquela cena que lhe tirara a vida. Agora ele sabia que não tinha agido certo.  Poderia ser diferente se ele não tivesse reagido tão rapidamente. Podia ser que os mascarados não quisessem fazer nada com Monica. Quem sabe eles queriam mesmo era roubar o carro. Quem sabe!  Agora era tarde pra fazer conjecturas
Por um momento de insensatez perdera a chance de viver o grande amor de sua vida.

Autor
Carlos Marcos Faustino
11/12/2017 – segunda-feira- 17:02




sábado, 9 de dezembro de 2017

E agora Carlos!


A imagem pode conter: trem e atividades ao ar livre

E agora Carlos!

O relógio da matriz badalava dezoito horas. Era uma tarde ensolarada de janeiro. O ano de 1971 mal começara. Até então dos anos 60 aos 70 tinha sido um período leve, Carlos dedicara-se especialmente aos estudos.
A cidade em que morava era aconchegante, cada rua, cada esquina  pra ele tinha toda uma historia que o acompanharia pro resto dos seus dias. A família mudara-se para ali quando ainda estava no inicio dos seus oito anos.
Quantas coisas vividas, quantas brincadeiras, quantos sonhos. Quando ainda em tempos de grupo escolar Carlos escreveu seus primeiros versos. Coisa boba, sem muito sentido, sem muito trabalho nas palavras, mas era a semente que nascia.
Já se interessava pelas aulas de linguagem, era assim que se dizia na época, a professora adentrava na classe e num cavalete,  dia  a dia, ia desvendando lindas gravuras, que lhe despertava historias,  que até então  estavam adormecidas.
Cada composição que fazia era uma viagem, isso mesmo, composição: A professora  dizia mesmo assim  escolhendo uma figura: Hoje vamos fazer  Composição à vista de uma gravura.
Depois no curso ginasial eram os livros de português. Logo no inicio do ano, quando os livros chegavam, Carlos devorava página por página, cada poesia, cada historia ali contida.
E havia poesias lindas. E havia historias emocionantes.
“Onde há poesia há amor,  onde há amor há poesia”. As canções foram chegando uma a uma, uma verdadeira trilha sonora para todos aqueles tempos de vida. Os versos foram brotando como se fosse um sol adentrando janelas abertas por suas emoções.
A família era todo amor  e mesmo na simplicidade que os envolvia  podia-se dizer que todos eram felizes.
Belos anos dourados aqueles repletos de risos, sonhos e paixões. Afinal qual é o adolescente que não se apaixona. Quando um olhar vem de encontro, quando mãos se tocam, quando as pernas tremem e as batidas do coração calam a v oz que acaba morrendo na garganta. Assim era Carlos.
Os anos foram voando calendários afora, como borboletas que despertas de casulos saem  pela vida. Não se reconhecia mais como menino, já era um rapaz.  
O olhar de sua mãe apreensivo  triste, O seu pai enrolando o cigarro de palha talvez pra disfarçar a emoção daquele momento. Carlos parado ali frente à frente com a porta que dava para a rua,  refletiu por instantes  e se perguntou: Será que ainda sou capaz de fazer isto”?
E agora Carlos! E agora!
Da soleira pra fora, parecia-lhe um enorme abismo que ele estava prestes a entrar. As malas estáticas no chão. Os olhos lacrimejantes. Como era difícil dizer um adeus pra aquilo tudo.
Mas era tão necessário. Por que será que os filhos crescem e tem que deixar o aconchego dos pais. Ainda que isso  lhe passasse pela cabeça, sabia que era preciso encarar. Era preciso seguir
Voltou-se tentando colocar  um sorriso no rosto, que embora por mais que se esforçasse  tinha uma ponta de tristeza. Abraçou sua mãe como se quisesse retê-la pra sempre em seu coração. Depois se voltou para o pai  e também mergulhou no seu abraço. Guardou pra sempre aquele retrato, os pais, os irmãos.. Tomou as malas nas mãos e deu um passo.  Pronto, agora era ele e o  mundo. Quantas historias ainda teria pra viver.
O trem  passando sob o pontilhão que era a o cartão de boas vindas da cidade, deu um longo apito. Carlos olhou as casas que pouco a pouco se distanciavam,  sufocou na sua garganta um grito enquanto o vento espalhava lágrimas pela sua face.

Autor
Carlos Marcos Faustino
09/12/2017 – sábado -  16:45


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Avesso


                 
Avesso

Um óvulo fecundado
O real começo
Igual pra todos

O avesso seu,
 É O meu avesso
Por dentro células,
 Nervos, tecidos
Ossos  e músculos
Sangue nas veias correndo
Cérebro, coração
Outros tantos órgãos
Cada qual na sua função



A alma, o espirito,
O ”eu” que ali habita
O  orgulho, a ira
 A inveja, a cobiça
Contracenam
Nesta  mágica peça que é a vida
Com valores, dons, amor   compaixão
E piedade.

Mas  a falta de humanidade
Vem, comprova
A maldade existente em  níveis bem diferentes

A morte, O desprezo
 Estampa-se em  toda parte
Assassinam homossexuais
Discriminam pobres, negros
Afloram  os preconceitos
 Mas estes mesmos que discriminam
Que ferem, desprezam, alienam
Esquecem-se de olhar o seu avesso
Somos todos iguais
Mesmo que perante a lei
No momento, nem tanto
Quem tem mais poder
Dita o que vai ser dos demais

Volta a cena
A escravidão disfarçada
O direito a vida digna
Saúde, educação, moradia
Hoje mera  utopia

Estudo Gratuidade?
Hoje quem quiser que pague
Saúde então nem se fale
Faltam leitos, médicos, remédios, maca
Nossos direitos onde foram
Afinal Quem é que  sabe


Mas chega a hora
Que a divindade a todos iguala
Pobre, rico, negro, branco
Todos vão pra mesma vala

 Só o que perdura
O que se leva na bagagem
São as boas atitudes
Que acumulamos na viagem


Autor
Carlos  Marcos Faustino
08/12/2017 - sexta-feira – 15:14



terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A Historia de Emanuelle


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A historia de Emanuelle


- Dou-lhe uma,  dou-lhe duas,  dou-lhe três, vendido para o Senhor Fernando Lemos.
Ele nem se lembrava mais que tinha dado o lance. Mas era ele mesmo.  Era o seu nome que o leiloeiro acabara de pronunciar. Estava  tão absorto  olhando aquele quadro que agora era seu.
Aquela dama  parecia olhar nos seus olhos, um brilho  que parecia saltar da tela. Aqueles sedosos cabelos. Como deveria ser o nome dela. Que historia toda teria envolvido sua vida. Seria mesmo real, teria mesmo existido, ou simplesmente teria nascido num momento de inspiração num pincel nas mãos dum artista qualquer.
Era um quadro que estava sendo muito disputado  e ele finalmente tinha dado o lance final. Em poucos minutos ele já percorria a estrada que o levava ao seu recanto. Como escritor que era havia alugado uma casa entre as montanhas para escrever o seu próximo livro
Terminara há pouco um relacionamento e o seu coração ainda não havia se recuperado totalmente da desilusão que havia sofrido. Mas não era a  primeira vez que isto acontecia. Ele sempre dava a volta por cima.
Saia um pouco de circulação, se isolava num lugar paradisíaco e ali sempre escrevia  um novo romance que certamente seria um Best Seller.
Em questão de uma hora e meia adentrou os portões, estacionou o carro  numa garagem próxima a varanda que circundava a casa. O canto dos pássaros que se permutavam entre uma arvore e outra era uma trilha sonora para os seus ouvidos. E havia muitas borboletas que disputavam as lindas flores que desabrochavam pelos jardins.
Escolheu um canto especial na sala de estar   e num instante colocou o quadro como se fosse a   coisa mais importante na decoração daquele ambiente. Nem o piano no qual  sentava-se a noite, pra tocar uma canção que lhe inspiraria na criação das situações de suas historias  lhe parecia tão importante.
Estava cansado e resolveu dormir. Acordou altas horas da madrugada, num impulso foi até a sala, aquela mulher enigmática do quadro parecia sorrir para ele.
- Emanuelle,  Emanuelle, balbuciou baixinho, Volte, Volte!
Em sua mente começou a desenrolar-se uma cena que lhe parecia familiar. Emanuelle  lhe era uma pessoa cara. Estavam enlaçados bailando uma linda valsa quando ela então  lhe sussurrou algo ao ouvido. Uma emoção descontrolada fê-lo parar por instantes a dança. Fixou seu s  olhos no dela e abriu um largo sorriso. Então era verdade:  Um filho, um filho gritou alegremente enquanto voltava  a tomá-la nos braços para valsar  pelo salão.
Sim, sim, eram casados. Moravam nos arredores  de Paris. Ele exercia um papel importante na corte  e ela o acompanhava nos compromissos que  exigia sua presença.
Estava  distraído na sua sala de trabalho e  Emanuelle  adentrou sorridente chamando seu nome:
-Jean Pierre, Jean Pierre, venha comigo, quero lhe apresentar um pintor ,aquele mesmo  que pintou um quadro da Duquesa de Villeneuve. Sim  mon amour,  ele se dispôs a pintar o meu retrato.
Então era esse o seu nome: Jean Pierre, Jean Pierre.
Puxou-o  pelas mãos e saíram correndo feito dois adolescentes pelas escadas do palácio.
O tempo cobriu de neve os campos O quadro de Emanuelle havia ficado lindo. O artista conseguira retratar com precisão toda a beleza dela .
E vieram os tempos de guerra, todos foram convocados.  Jean Pierre, já montado em seu cavalo, despediu-se de  Emanuelle, o filho estava por nascer.
E a neve se foi, mas a guerra continuava  sangrenta, e a primavera voltou. Novamente as flores aos poucos foram embora. Jean Pierre nunca mais voltou.
A tristeza abateu-se tanto em  Emanuelle pela perda do seu amado, que ela não resistiu principalmente porque a única coisa que lhe havia deixado no seu ventre, havia nascido sem vida. 


O sol já refletia seus primeiros raios no quadro da parede. Como se de repente saísse  daquele transe que o tomara olhando pra aquele retrato, Fernando  repassou toda aquela historia que lhe fora revelada  na sua cabeça naquela noite; Já tinha quase todo o roteiro do seu futuro livro. “A historia de Emanuelle”, na qual ele se sentira um personagem.
O sol já estava alto no céu, quando resolveu pegar o carro e ir para a cidade. Percorreu a hora e meia de carro até ela. Parou no estacionamento duma grande livraria, ali também funcionava uma banca de revistas onde costumeiramente comprava jornal;
Ao adentrar a porta, sentiu-se atordoado,  acabou esbarrando numa moça, que estava saindo do local, chegaram a bater um na cabeça do outro tal foi a rapidez com que entravam  e saiam pela porta. Fernando acabou entrando num transe, tal qual acontecera com ele naquela madrugada.
-Emanuelle, murmurou: Emanuelle sou eu Jean Pierre, eu voltei!
Pensou que nunca mais a veria, mas ali estava,  diante dele, aquela  mulher. As pernas estremeceram tudo lhe voltou à cabeça, finalmente reencontrara a mulher de sua vida.

Imagem: Google




Autor
Carlos Marcos Faustino

05/12/2017 – terça-feira- 17:21

sábado, 2 de dezembro de 2017

Fabricio & Eloisa

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Fabrício & Eloisa

O que se poderia dizer de  Rincão Paraíso: Era um lugar pequeno e aconchegante, ladeado por vales floridos e uma paisagem como aquelas de cartão postal. Uma igreja na praça central com um coreto no jardim, onde nos finais de semana os namorados sentavam-se de frente para a fonte luminosa,  inebriados pela paixão e  por canções  que faziam trilha sonora pra dança das águas.
Talvez tenha sido por isso que há muito tempo os pais de  Fabrício escolheram ali pra fixar residência.
A tarde todos colocavam suas cadeiras nas calçadas, os vizinhos aconchegavam-se e ficavam até altas horas num troco gostoso de experiências de vida, historias e doces lembranças. As crianças brincavam nas ruas  e os mais grandinhos arriscavam seus olhares nos olhos de alguma garota pra um possível namoro.
E foi assim que Fabrício conheceu Eloisa. Um primeiro olhar, um leve toque nas mãos, ainda ali próximos aos olhares do s pais. Nos finais de semana  um filme no cinema da cidade ou uma escapadinha pra uma festa na casa de amigos.
O tempo foi construindo em suas asas os destinos das pessoas. Aos 20 anos casaram-se numa cerimonia simples. A felicidade veio morar com mais força naqueles corações repletos de amor
Rincão Paraíso parecia já uma cidade maior. Eloisa já conseguira um emprego e trabalhava fora. Fabrício cuidava da loja de ferragens que herdara do pai. Filhos, apesar dos 7 anos de casados, ainda não tinham aparecido na vida deles.
Eloisa começou de repente a chegar tarde do trabalho. Primeiro uma semana, depois outra e mais outra. Fabrício fechava a loja de ferramentas, ia pra casa e ficava esperando um telefonema da esposa para que pudesse busca-la no trabalho.
Aproximava-se o final de ano. A presença do Natal já se estampava nas lojas e nas fachadas das casas, Fabrício sentado  em frente a TV, passeava seus pensamentos aqui e  acolá analisando os últimos acontecimentos
Eloisa já não era a mesma pessoa, às vezes ele falava e ela parecia tão distante que quase nem conseguia ouvi-lo, apenas balançava a cabeça entre uma frase ou outra. Talvez fosse o excesso de trabalho, talvez outras preocupações, mas afinal quais seriam, era uma dúvida que em sua mente frequentemente passava.
Já se  aproximava das 22 Horas. O telefone continuava mudo. Fabrício estava inquieto. Apagou o cigarro que tinha em suas mãos, foi até o quarto, botou  outra roupa, pegou uma capa de chuva. La fora chovia torrencialmente. Quem sabe não fora este o motivo do atraso. Afinal ela nunca chegava depois das 21 horas.
Pegou o carro  e seguiu pela rua até o prédio onde sua esposa trabalhava. Era uma importante loja de eletro domésticos onde Eloisa cuidava da parte financeira.   Naquela altura do campeonato, já estava tudo fechado e os demais funcionários já tinham ido embora.
Apenas uma  fina garoa caia sobre o para-brisa do carro naquele momento. Estacionou e enquanto esperava sua esposa do lado de fora da loja notou   que a sobreloja onde funcionava o escritório estava às escuras.
Desceu rapidamente do carro, correu até a porta que levava a parte superior, apertou freneticamente  a campainha. Nada! Ninguém respondia. Apenas o silêncio contrastando com a sua respiração ofegante.
Fabrício tomou o carro e retornou às pressas pra casa. Abriu as portas chamando por Eloisa. Nada! Nem mesmo o eco de sua voz. Correu ate os seus aposentos. As portas do guarda roupa estavam escancaradas. Todas as roupas de Eloisa haviam desaparecido.
Atônito sem mais nada entender jogou-se na  poltrona que havia aos pés do toucador. Seus olhos de repente caíram sobre um bilhete que estava quase escondido entre as coisas ali espalhadas
Tomou angustiado em suas mãos e leu o que estava mal escrito com a ponta de um  baton:
Meu amor já faz um tempo , eu estava me esquecendo, venho agora te dizer,  eu não queria que soubesses que esta dor que me acontece é  por causa de você.
Estou partindo, indo embora, por favor, tente me   esquecer. O nosso sonho foi  lindo,  foi  ilusão passageira, não era pra vida inteira, o nosso amor acabou.


Autor
Carlos Marcos Faustino
02/12/2017 – sábado – 14h34


Emily


A imagem pode conter: flor e planta
Emily

As pernas estremeceram e tudo me  voltou à cabeça por alguns segundos. Fiquei  ali estático olhando os escombros  do que havia sido o velho solar. Ainda ecoavam em mim os risos de Emily.
Ela costumava descer as escadas, vindo dos aposentos num cantarolar que  preenchia de alegria todo aquele espaço. No salão sentava-se ao piano e as notas de uma linda canção ecoavam por todo o canto. A  luz do sol que penetrava pelas janelas  emoldurava aquele angélico quadro.
Emily era a própria doçura em pessoa. Havia tanta luz naqueles olhos azuis, tanta  graça naqueles cabelos que  balançavam ao toque do vento, tanta ternura naquele mágico sorriso que a todos encantava.
Quanto tempo já havia se passado daquela  fatídica noite. Expulsei de repente de minha mente aquela cena dantesca.
Havia saído naquela noite para assistir a um espetáculo teatral no centro da cidade. Os empregados,  que se resumiam a governanta e ao seu marido já haviam se recolhido em uma pequena residência que ficava  nos fundos do jardim do casarão.
Quando retornei da cidade naquela noite, de longe avistei as chamas, meu coração aos saltos parecia querer  sair do peito. O mundo ruía aos meus pés.  Parecia-me mesmo ainda um pouco distante ouvir os gritos de Emily entre as chamas.
Depois o silenciar das labaredas e uma fina chuva salpicando as cinzas.
 Eram ecos do passado que todos os dias insistiam em me fazer parar ali naquele local como se estivesse em busca da presença de Emily.

Autor
Carlos Marcos  Faustino
28/11/2017 – terça-feira- 19:35



A carona

A imagem pode conter: noite

A Carona  
                                                                                       
                                     

Elizabeth acabara de deixar o curso  colegial.
Sonhadora, no auge dos seus 15 anos, tudo o que mais queria  era  encontrar seu príncipe encantado, alguém que a levaria pra um lugar mágico, onde então viveria a sua primeira noite de amor.
Quantas vezes dormindo realizava este sonho. Despertava ofegante  e  repleta de desejos.
Dentre todos os seus conhecidos não havia nenhum que despertasse amor em seu coração. E ela estava disposta a não se entregar a  qualquer um, teria que ser especial. Teria que ser com o seu príncipe encantado que sabia iria chegar.
Como em sua cidade não havia nenhuma faculdade, prestou vestibular numa cidade bem maior e que não estava tão distante da sua  e assim iniciou seu curso superior.
O ônibus que a levava para a escola vinha de outras cidades e ia ao longo do percurso trazendo alunos de varias cidades.
Foi assim que conheceu Leonardo. Às vezes dava certo de sentarem juntos  e ela foi se  envolvendo aos poucos numa paixão  que a fazia sonhar mais e mais.
Primeiro um toque de mãos e a partir dais surgiram muitos beijos.
Ela nada sabia do rapaz., ele quase não falava de sua família. No ônibus que estavam ele era o único que vinha de sua cidade, ninguém  o conhecia, mas pra Elizabeth, Leonardo  tornara-se  o príncipe que ela sonhara um dia.
Assim transcorreram-se  alguns dias. Viagem vai, viagem vem, o amor crescendo muito também.
Elizabeth já o colocara como personagem principal de seus sonhos. Ali realizara todos os seus desejos. Ansiava muito por este real momento, mas na verdade não se encorajava  a admitir isso.
Certo dia, véspera de feriado, Leonardo mandou-lhe uma mensagem no whatsapp, dizendo-lhe para não tomar o ônibus pra escola naquele dia, porque ele iria de carro. Dai sugeria um ponto de encontro longe de olhares curiosos pra pegá-la e assim dar-lhe uma carona até a escola.
Assim aconteceu. Elizabeth ansiosa saiu de casa  e sorrateiramente dirigiu-se ao ponto de encontro.
Lá estava o seu príncipe encantado, não num cavalo branco, mas num carro  tão imponente como.
Ele desceu e enlaçou-a nos braços como qualquer gentil cavalheiro, abriu-lhe a porta, ela se  assentou e seguiram viagem.


 II             

O relógio já seguia o ritmo das horas. Leonardo disse-lhe que como estavam atrasados, tomaria uma vicinal pra encurtar o caminho.  Elizabeth concordou imediatamente, ela estava inebriada na presença daquele rapaz que mexia com todos os seus hormônios.
De repente  a estrada estava impedida e não dava pra seguir adiante.  Leonardo tomou então um atalho e num dado momento  o carro começou a afogar até parar.
Era uma estrada deserta como uma longa mata ao lado. Elizabeth ficou temerosa, mas Leonardo a tomou nos braços e sugeriu que procurassem ajuda em alguma casa ali por perto.
Embrenharam-se na mata. Leonardo portava um farolete nas mãos, que ia iluminando o caminho.  Num certo instante, numa clareira, pararam pra descansar.
Leonardo acendeu uma pequena fogueira  e então abraçados foram trocando beijos cada vez mais quentes até que Elizabeth estonteada com tantos carinhos ousados foi-se entregando e então aconteceu
Depois do amor, adormeceram um nos braços do outro.
Era quase madrugada quando Elizabeth foi despertando. Leonardo que estava ao seu lado de pé foi se transformando numa forma reptiliana. Elizabeth começou a gritar de pavor com todas as suas forças
Uma nave alienígena foi descendo na clareira ao lado. Uma luz forte  eclodiu sobre Leonardo, ou sobre o que ela supunha ser ele.
 Aquele ser reptiliano que havia feito amor com ela disfarçado na imagem do seu príncipe encantado foi tragado pra dentro daquela nave. 
Sua missão aqui na terra estava cumprida. Ele havia deixado seu sêmen  e em pouco tempo tornaria pra pegar o filho  hibrido que haveria de nascer daquela relação premeditada.
Elizabeth  começou a gritar desesperada. Com todas as suas forças. Clamava por Leonardo e em seguida  gritava como uma louca. Não!  Não!  Não!
Seus pais acordaram desesperados, com aquele grito  de pavor. Correram ao quarto de Elizabeth  e ela sentada na cama ainda gritava desesperada: “ Não! Não! Não!”



           
 Autor
Carlos Marcos Faustino - 
13/11/2017- segunda-feira -13h30

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