sábado, 13 de janeiro de 2018

Minhas ruas


A imagem pode conter: oceano, céu, atividades ao ar livre, natureza e água


Minhas ruas


I


 Chavantes, final de rua
Apito de serraria
Já acena a primavera
Em setembro o quinto dia
Da semana a terça feira
Nem muito sol e nem lua
São nove meses de espera
E nasce um novo rebento
Dali poucas lembranças
Deste pedaço de infância
Aos cinco anos, mudança.


II


Ecos na casa vazia,
Paiquás e tinta fresca
Amoreira no quintal
Búricas sobre a parreira
Ate quase nove anos
Meu Deus quantas brincadeiras
Trem partindo da estação
Crianças portão aberto
Sai correndo o velho cão
Sangue e chutes e gritos
 Mordidas  e o Seu Chico
 Vizinho  rolando ao chão,
Fogueiras de Santo Antonio
De São Pedro e  São João 



III



 Bem ou mal, Nada perdura
 De repente vem mudança
Poeira de estrada, tralhas,
Cachorro e  samambaias
E vômitos de banana.
Mas eis que logo  acena,
Parapuã, tão pequena
Estendendo os  seus braços
Feito duas avenidas
A partir do pontilhão
Um   “L” pura emoção
São Paulo com Pernambuco
Casa velha de madeira
no quintal uma paineira
Maranhão, meia nove meia.


IV


Pó de serra nas retinas
Serraria  e meninas
Entre “ palheiros” e toras
Meu pai ali trabalhava
Depois “ Paraíba” afora  
Ergue-se casa de esquina
Jardim com muitas roseiras
Primavera no quintal
Brincadeiras na calçada
Um sutil toque de mãos
Descompassa o coração
Nas faces  leve rubor
E meus olhos procurando
Os s  olhos do meu amor



Mas o trem da vida apita
Leva os sonhos de então
Emoção  se descontrola
Ao passar o  pontilhão
No peito  brota saudade
Nesse adeus desta cidade
De todos os meus amores
Dos meus pais, dos meus irmãos



V



Em São Paulo bem  cedinho
Antes de o sol dar  a graça
 E inundar com sua presença
 Da Luz até a  Vila Yara
Seguindo para a Julio Prestes
Pegar o trem do subúrbio
Depois de algumas paradas
Descer no Largo de Osasco
Entre tenso e assustado


Em uma casa azulada
 Com muitos quartos ao fundo
Naquela rua encurvada
De nome Avenida Yara
Foi ali que fiz morada



Uma  padaria perto
Autoescola e lanchonete
Sereno no colchonete
Pingado de leite e groselha
Radio de pilha na orelha
Pingos batendo na telha
Um símbolo de alegria
Se faltar água algum dia
Muito  bem vinda essa ajuda
Pra um belo banho de chuva



VI



Alguns meses e um pouquinho
Sorrir ao ser premiado
Um lugar limpo, novinho
Pronto pra ser ocupado
Cidade de Deus-Osasco
Conjunto C-   cinco quatro (54)



Outras ruas que inda guardo
Como se fossem tão minhas
Gonzalo e Sacadura
 Também Santa Terezinha




VII



Av. Gonçalo Madeira
Casa na beira do rio
Árvores  um tanto quietas
Uma rua empoeirada
Caipirinha e macarrão
Discos vinil na vitrola
Lágrimas de quem não chora
Viaja em canções, viaja
E acalenta o coração


No varal dependuradas
Tantas lindas roupas alvas
Versos sendo construídos
Destes belos anos vividos
Rua Gonçalo Madeira
Amigos pra vida inteira



VIII



Sacadura tão pequena
Apenas um quarteirão
Onde deixei os meus passos
E também meu coração
Como filho adotivo
Eu tive os meus motivos
Pra chorar de emoção
Quando  parti sentido
Sem esses pais e irmãos



IX



E  anos devoram  meses
Esses por si levam  dias
Seis anos passam depressa
Minha mãe não se avexe
Voltar, voltar  mãos em prece.
Me abençoa, Ave Maria
Adeus Zezé  e Rosinha
Adeus amigos irmãos
Segui  viagem inteirinha
Com aperto no coração



X



Eu não sabia direito
O que sentia em meu peito
Chorar triste na partida
 Ao despedir desta vida
Seis anos fora de casa   
Deixei ali tanto afeto
Um sentimento completo
Que até no ultimo abraço
Deixei de mim um pedaço


  XI


                                        
Ao chegar a minha casa
AO adentrar   o portão
Madrugada, rua quieta
Descompassa o coração
Misto de lagrimas, risos
E explosão de emoções.



Todos ali abraçados
Um laço pra toda a vida
Um amor puro, sagrado
Quem tem mãe e pai que o diga



XII



Domingo à tarde eu saia
Aos sábados  retornava
De volta à Paraíba
Nos tempos que eu trabalhava
Em ruas de outra cidade,
Vereador Gomes  Duda,
Pacaembu, não muito longe
Ate que tive ajuda.



XIII



Adamantina me acolhe
Ali mais perto, viajo
Venho cedo, volto à tarde
Nos braços de minha rua
Adormeço e bem cedinho
Retorno  pro meu trabalho


Tempo corre, passa tempo
Quatro anos vão-se embora
Tantos amigos que tenho
Vão ficando nas memórias
Cidade Natal me chama
Muda o meu itinerário.


XIV



Vida de idas e vindas
De voltas e viravoltas
Que dor revira meu peito
Quando a casa se esvazia


Quanta vida  estampada
Em suas paredes fica
Despedida tão sofrida
Dor que  no peito lasciva
Quanto a vejo lá  da esquina
Ultimo Adeus, velha casa
Vou te deixar retratada
No profundo do meu ser
Em quase todos meus versos
Enquanto eu puder viver.



XV



Conceição Ponce, onde vivo
Há tempos perdi a conta
Pra onde vou, pra onde sigo
Só Deus que pode escrever


Das ruas onde passei
Todas deixaram Saudades
Todas estão comigo
São meus olhos,  são meus braços
Minhas pernas e  meus passos
Amores que conquistei



Autor
Carlos Marcos Faustino
13/01/2018- sábado – 11h00 



quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Velhos Natais


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Velhos Natais


Procurei  você nas tardes vazias, o que encontrei na minha busca veio em forma de poesia.
Comecei  a desdobrar canções, versos e fotografias que deixei  estampadas no passado.
Foram tantos anos costurados dia a dia, um álbum que ainda continuo  preenchendo  com todas as minhas alegrias, os ganhos e perdas.
Não sei até quando novas páginas serão acrescentadas. O tempo voa,   a cada dezembro que finda, janeiro que chega, fica a certeza de que qualquer hora pode ser hora de partida.

Fechou os olhos por instantes,  jogou a caneta ao lado do papel em que escrevia aquelas palavras, levantou-se da cadeira e foi até a janela. Olhou lá fora. A presença do Natal estampava-se em tudo, o ano  estava quase  indo embora.
Era assim mesmo, nestes tempos de final de ano  descia sobre seu ser algo que nem ele mesmo sabia explicar. Ficava pensando em todas as pessoas que haviam começado o ano com  tantos sonhos e esperanças  e que naquele instante já nem estavam mais neste  mundo.
Quantas chegaram, quantas se foram.  Quantas famílias de corações partidos.
Dezembro  tem aquele aspecto de que algo termina  como se fosse possível cortar  a caminhada do tempo tal qual se corta um bolo de aniversario. Esta ilusão de recomeço  seria só uma forma  de tomar forças, energizar-se  e retomar  a caminhada.
Voltou os olhos pra aquele papel com todas aquelas palavras que havia deixado por lá. Talvez fosse melhor não continuar escrevendo, afinal quem iria se interessar em ler aquilo tudo. Talvez alguém solitário como ele mesmo.
Mas a sua vida não fora sempre assim como não é também  a vida de ninguém.
Ainda podia sentir as emoções de seus antigos natais, quando bem criança, na véspera  do Natal, ele e sua irmã colocavam seus sapatos no canto da sala à espera dos presentes de Noel. Logo que amanhecia corriam ansiosos pra ver as surpresas deixadas pelo bom velhinho. Naqueles tempos  as crianças ainda acreditavam em papai Noel,.  
Depois  a chegada dos parentes, dos primos, todo  aquele calor humano. Assim em varias fases de sua vida podia lembrar-se  de todas as alegrias de seus velhos natais.
Agora que os anos haviam deixado marcas em seu rosto, agora que  o tempo  havia descolorido seus cabelos ele cultivava as suas  lembranças.
O telefone continuava mudo. Às vezes voltava os olhos pro aparelho,   como se esperasse que voltasse a tocar, mas fazia algum tempo que ninguém se lembrava de ligar pra ele. Os amigos haviam-se perdido pelos caminhos da vida. Os filhos também alçaram seus voos.
Do alto de sua janela ele ouvia os risos das pessoas que passavam pela calçada. Os mesmos  risos de felicidade que ele já ouvira tantas vezes.
Já não lhe sorriam  os belos anos. Sentia-se cansado. Fechou rapidamente as janelas.  Foi até a sua escrivaninha pegou aquelas palavras  que acabara de escrever, riscou um fósforo  e depositou as cinzas num cinzeiro antigo que adormecia na ponta da mesa
Aquela viagem que fizera aos seus anos dourados lhe trouxera um brilho nos olhos. Como é bom reviver. Como é bom ter lembranças. Como é doce a saudade.
Deixou-se cair no seu leito ainda saboreando todas aquelas cenas do seu passado
 A noite de Natal adentrou com sua energia em todos os lares e corações. Como num sonho seu pai Noel se achegou do  sapato que ele havia esquecido perto da cama.
A madrugada despediu-se aos poucos. Um raio de sol veio iluminar o quarto. O telefone  despertou  do seu longo sono e  começou a tocar insistentemente.
 As suas mãos aconchegavam-se na altura do coração. Um leve sorriso estampava-se em seus lábios congelados.


Autor
Carlos Marcos Faustino
21/12/2017 – quinta-feira – 12:13




segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Cães, sempre amigos


A imagem pode conter: cão
Cães, sempre amigos!


Sorriso maroto, arte feita,
 Papeis rasgados na garagem,
Basta um olhar  de reprovação,
E elas vêm aconchegadas rente ao chão.

Dentes a mostra num riso desenxabido,
Até bonito, diga-se de passagem,
Impossível não perdoar a traquinagem,
Não se apaixonar,
Impossível não afagar levemente seus pelos coloridos
E não se fartar dos afetos delas pra comigo

Brincadeiras em torno do carro,
Corro, elas correm, cercam-me dos dois lados,
Saltam mais da altura do meu peito,
E do seu jeito expressam felicidades
Mas traquinagens a parte,
A  postos sempre, aguçados os sentidos,
Sabem distinguir quem são amigos.

E como não sabem falar, latem,
Mas isso também não é preciso,
Pois é no olhar que amores por nós transmitem.



Autor
Carlos Marcos Faustino

18/10/2014- sábado- 00h58

domingo, 17 de dezembro de 2017

Uma historia de amor

Resultado de imagem para becos da esquina


Uma historia de amor

Noite silenciosa e fria. De repente, aquele boêmio vem no seu gingado. Estica o olhar curioso pra um lado, depois pro outro e atravessa a rua. La do alto de sua janela, ela fica sonhando com aquele gato.
 Pular lá de cima e cair em pé, quase nos seus braços,  bem ao alcance daquele cheiro, era o seu mais ardente desejo:  fitá-lo nos olhos, talvez quem sabe até um beijo ou por que não, algo que o levasse a sentir-se compromissado.
Mas qual, ele segue rua abaixo matreiro, provocando gemidos em todas  que lá do alto de suas residências,   ficam esperando um momento para se entregarem  aquele delírio.
No momento, ele parece não ouvir nenhum suspiro, nenhum lamento. Vai seguindo solitário, Talvez  pra algum beco a fim de encontrar alguns amigos.
Quem sabe se dentre todos aqueles olhares, ele se apercebesse do verde olhar de Denise, acho que não resistiria, escalaria cada andar daquele prédio. Seria uma noite de amor, afora os impropérios dos que lá de  fora se incomodassem com seus  sussurros. Mas qual, toda noite é tão igual, ele segue seu caminho distraído.
Denise volta-se  pra dentro. Estica-se toda na poltrona da sala, Todos dormem. Fica assim por momentos, seus pensamentos saltam janela afora  e segue no rastro daquele perfume. Em qual esquina teria dobrado.  Estaria em busca de algum possível caso?
O ciúme acelera seu coração no peito e de um salto ela se põe de pé. Segue até a porta, a sala está toda apagada. Melhor descer pelas escadas, pé por pé. Não queria correr o risco de topar  com algum morador conhecido.
Um minuto e está na rua. Sempre tinha ouvido dizer, que naquelas horas da noite, pra uma dama,  não é muito aconselhável andar  sozinha.
Denise ia rememorando as vezes que ela tivera contato com  Eros. Sim, era esse o nome dele.
Mas ele era tão distraído que nunca  tinha notado sua presença . Mas hoje, será  diferente,  hoje eu o encontro e me declaro, pensava.
De repente sufocou na garganta um grito. Ao  virar uma esquina lá estava  Eros, completamente indefeso. Alguns vagabundos  que perambulavam pela noite, talvez porque não tivessem lar pra voltar, talvez porque estivessem procurando briga mesmo, faziam pressão em cima dele.
Seria uma luta desigual, afinal cinco contra um, é claro que seria covardia.  Eros não demonstrava medo no olhar, ele sempre fora assim, não era  um qualquer  latindo nos seus ouvidos que  o faria arredar pé e correr.
Denise teria que pensar rápido ou a situação poderia se complicar. Deixou que seu olhar assumisse em instantes um  provocador fogo ardente de desejos e se insinuando toda se acercou da cena. Os olhares todos se voltaram para ela.
- Olá rapazes, alguém disposto a me fazer companhia, a noite está tão linda, muito mesmo pra eu ficar sozinha.
-Ora,  mas que gata, mas de onde surgiu este espetáculo? O que parecia ser o chefe da gang  deixou escapar estas palavras  acompanhadas  dum assobio galanteador.
Eros aproveitou-se da distração deles  e foi nocauteando um a um com os poucos golpes de karatê que aprendera com alguns amigos lá do Beco.
Os poucos que conseguiram se levantar fugiram em desabalada carreira. Denise que olhava a cena toda  ao vê-lo vencedor daquele embate  aproximou-se mais e mais dele, até ficar num ponto onde suas respirações se confundiam.
-Olá,  Eu me chamo Eros e você?
- Denise,  foi tudo o que conseguiu dizer.
Estavam hipnotizados,  um quase dentro dos olhos do outro. As palavras todas que poderiam ser ditas ficariam pra depois.  A sinfonia de amor tomou conta daquela  noite silenciosa e fria.
 Aquele beco pouco iluminado  daquele bairro mal vestido foi o palco pra realização daquele amor que Denise havia sonhado. A rua toda se sentiu  despertada.
-“Mas que  inferno,   quem  é que dorme sossegado, primeiro  latido de cães, agora  gemido de gatos!.”


Autor
Carlos Marcos Faustino

17/12/2017  - domingo – 02:16

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Eduardo & Mônica


 Resultado de imagem para amor no metro


Eduardo & Mônica



Há momentos na vida que você se vê defronte a uma encruzilhada e não sabe qual caminho tomar, O arbítrio é todo seu. Qualquer que seja a sua decisão, percalços  sempre haverá. Talvez depois lá na frente você fique imaginando o quão seria tudo tão diferente se tivesse optado pelo outro caminho.
A jovialidade explodia por todos os seus sentidos. Naquela altura do tempo, aos 21 anos de idade ele já tinha experimentado quase todos os prazeres que  a vida poderia lhe oferecer , ou pelo menos,  a consciência que ele tinha do que era prazer.
Contudo não se podia dizer que não era um bom rapaz. Havia terminado os estudos recentemente  e já estava trabalhando numa multinacional que lhe remunerava muito bem.
Um dia quando já voltava do trabalho, adentrou no metrô  a coisa mais linda que ele jamais tinha visto. Dirigiu-lhe um tímido olhar pra pedir licença e assentar-se ao lado dele.
Aquele perfume que estava ali bailando ao seu lado  mexia muito com todos os seus sentidos. Ele sabia que precisava descobrir quem ela era. Afinal naquela cidade enorme  nem sempre você reencontra as pessoas que às vezes você  vê.
-Aceita um chocolate? Perguntou-lhe enquanto tirava dois  bombons do bolso.
 -Obrigado, vou aceitar sim. Já estou ficando com fome. Não vejo a hora de chegar em casa.
-Qual é mesmo o seu nome,  perguntou-lhe após breves instantes.
-Monica, respondeu ela.
-Eu me chamo  Eduardo,  disse ,  enquanto sorria e lhe estendia as mãos trêmulas.
A canção “Eduardo e Monica” da  Legião Urbana  veio rapidamente na mente dos dois, embora nenhum deles mencionasse isso naquele momento.
-A próxima parada é a minha, sugeriu Monica. A gente se vê por aí
Eduardo ficou ali boquiaberto vendo a garota saindo pela porta do metrô. Ainda faltavam  duas  paradas pra que ele pudesse chegar a sua casa.
Nos dias que se sucederam Eduardo não teve  mais a sorte de ver Monica. A garota não saia de sua cabeça.
As viagens de ida e volta para o trabalho  tomaram uma importância tão grande. Ele ficava buscando nas estações e nas pessoas que entravam e saiam do trem a presença de Monica.
Até que um dia ela veio, chegou naquele sorriso encantador e sentou-se ao seu lado.
Foi como se já se conhecessem há séculos. A saudade havia  visitado aqueles dois corações. Monica lhe confidenciou que também pensou nele o tempo todo. Foi então neste mesmo dia que  decidiram tirar  um tempo para os dois, afinal a vida é tão curta.
Não passava das oito horas da noite. Eduardo deu-lhe o número do seu telefone e  disse que iria pra casa buscar o carro  a fim de que pudessem sair.  Como morava em bairro próximo Eduardo propôs que  se ela quisesse  poderia pegá-la em casa.
E tudo  começou assim, um jantar, muitas palavras, muitos planos e muitos  gestos de amor. Aquela noite foi como se vivessem anos de namoro e de  noivado. Ah! Tempo, tempo! Pudéssemos às vezes prolongar momentos felizes.
Já se passava das 2 horas da madrugada quando deixaram o motel. Havia nos seus corações a certeza que tinham encontrado um grande amor.
Seguia o carro por uma  rua deserta quando de repente  alguns rapazes mascarados e de moto se  acercaram e  obrigaram que parasse. Não havia dúvidas que  se tratava de um assalto. Não é seguro em grandes cidades circular altas horas da noite.
Eduardo desceu do carro, levou as mãos à cabeça. O que faria agora?
Os rapazes mascarados começaram a dirigir gracejos impróprios pra Monica que tremia toda dentro do carro.
Num impulso, prevendo acontecer o pior, na ânsia de proteger sua amada, deu um golpe  naquele que lhe apontava uma  arma. O bandido num instante desvencilhou-se do golpe que lhe aplicara Eduardo e deu-lhe de troco  um tiro a queima roupa no peito.
 Neste ínterim um carro de policia que por ali passava, ouvindo o estampido do tiro,  seguiu em direção a eles.
Os mascarados apavorados trocando tiros com os policiais saíram em suas motos numa tresloucada carreira.

Monica chorava desesperada. Eduardo estava morto

Uma sonolência lhe invadia tanto que ele mal conseguira abrir os olhos. Uma calma imensa lhe invadia todo seu ser. Sim, em  sua mente voltava aquela cena que lhe tirara a vida. Agora ele sabia que não tinha agido certo.  Poderia ser diferente se ele não tivesse reagido tão rapidamente. Podia ser que os mascarados não quisessem fazer nada com Monica. Quem sabe eles queriam mesmo era roubar o carro. Quem sabe!  Agora era tarde pra fazer conjecturas
Por um momento de insensatez perdera a chance de viver o grande amor de sua vida.

Autor
Carlos Marcos Faustino
11/12/2017 – segunda-feira- 17:02




sábado, 9 de dezembro de 2017

E agora Carlos!


A imagem pode conter: trem e atividades ao ar livre

E agora Carlos!

O relógio da matriz badalava dezoito horas. Era uma tarde ensolarada de janeiro. O ano de 1971 mal começara. Até então dos anos 60 aos 70 tinha sido um período leve, Carlos dedicara-se especialmente aos estudos.
A cidade em que morava era aconchegante, cada rua, cada esquina  pra ele tinha toda uma historia que o acompanharia pro resto dos seus dias. A família mudara-se para ali quando ainda estava no inicio dos seus oito anos.
Quantas coisas vividas, quantas brincadeiras, quantos sonhos. Quando ainda em tempos de grupo escolar Carlos escreveu seus primeiros versos. Coisa boba, sem muito sentido, sem muito trabalho nas palavras, mas era a semente que nascia.
Já se interessava pelas aulas de linguagem, era assim que se dizia na época, a professora adentrava na classe e num cavalete,  dia  a dia, ia desvendando lindas gravuras, que lhe despertava historias,  que até então  estavam adormecidas.
Cada composição que fazia era uma viagem, isso mesmo, composição: A professora  dizia mesmo assim  escolhendo uma figura: Hoje vamos fazer  Composição à vista de uma gravura.
Depois no curso ginasial eram os livros de português. Logo no inicio do ano, quando os livros chegavam, Carlos devorava página por página, cada poesia, cada historia ali contida.
E havia poesias lindas. E havia historias emocionantes.
“Onde há poesia há amor,  onde há amor há poesia”. As canções foram chegando uma a uma, uma verdadeira trilha sonora para todos aqueles tempos de vida. Os versos foram brotando como se fosse um sol adentrando janelas abertas por suas emoções.
A família era todo amor  e mesmo na simplicidade que os envolvia  podia-se dizer que todos eram felizes.
Belos anos dourados aqueles repletos de risos, sonhos e paixões. Afinal qual é o adolescente que não se apaixona. Quando um olhar vem de encontro, quando mãos se tocam, quando as pernas tremem e as batidas do coração calam a v oz que acaba morrendo na garganta. Assim era Carlos.
Os anos foram voando calendários afora, como borboletas que despertas de casulos saem  pela vida. Não se reconhecia mais como menino, já era um rapaz.  
O olhar de sua mãe apreensivo  triste, O seu pai enrolando o cigarro de palha talvez pra disfarçar a emoção daquele momento. Carlos parado ali frente à frente com a porta que dava para a rua,  refletiu por instantes  e se perguntou: Será que ainda sou capaz de fazer isto”?
E agora Carlos! E agora!
Da soleira pra fora, parecia-lhe um enorme abismo que ele estava prestes a entrar. As malas estáticas no chão. Os olhos lacrimejantes. Como era difícil dizer um adeus pra aquilo tudo.
Mas era tão necessário. Por que será que os filhos crescem e tem que deixar o aconchego dos pais. Ainda que isso  lhe passasse pela cabeça, sabia que era preciso encarar. Era preciso seguir
Voltou-se tentando colocar  um sorriso no rosto, que embora por mais que se esforçasse  tinha uma ponta de tristeza. Abraçou sua mãe como se quisesse retê-la pra sempre em seu coração. Depois se voltou para o pai  e também mergulhou no seu abraço. Guardou pra sempre aquele retrato, os pais, os irmãos.. Tomou as malas nas mãos e deu um passo.  Pronto, agora era ele e o  mundo. Quantas historias ainda teria pra viver.
O trem  passando sob o pontilhão que era a o cartão de boas vindas da cidade, deu um longo apito. Carlos olhou as casas que pouco a pouco se distanciavam,  sufocou na sua garganta um grito enquanto o vento espalhava lágrimas pela sua face.

Autor
Carlos Marcos Faustino
09/12/2017 – sábado -  16:45


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Avesso


                 
Avesso

Um óvulo fecundado
O real começo
Igual pra todos

O avesso seu,
 É O meu avesso
Por dentro células,
 Nervos, tecidos
Ossos  e músculos
Sangue nas veias correndo
Cérebro, coração
Outros tantos órgãos
Cada qual na sua função



A alma, o espirito,
O ”eu” que ali habita
O  orgulho, a ira
 A inveja, a cobiça
Contracenam
Nesta  mágica peça que é a vida
Com valores, dons, amor   compaixão
E piedade.

Mas  a falta de humanidade
Vem, comprova
A maldade existente em  níveis bem diferentes

A morte, O desprezo
 Estampa-se em  toda parte
Assassinam homossexuais
Discriminam pobres, negros
Afloram  os preconceitos
 Mas estes mesmos que discriminam
Que ferem, desprezam, alienam
Esquecem-se de olhar o seu avesso
Somos todos iguais
Mesmo que perante a lei
No momento, nem tanto
Quem tem mais poder
Dita o que vai ser dos demais

Volta a cena
A escravidão disfarçada
O direito a vida digna
Saúde, educação, moradia
Hoje mera  utopia

Estudo Gratuidade?
Hoje quem quiser que pague
Saúde então nem se fale
Faltam leitos, médicos, remédios, maca
Nossos direitos onde foram
Afinal Quem é que  sabe


Mas chega a hora
Que a divindade a todos iguala
Pobre, rico, negro, branco
Todos vão pra mesma vala

 Só o que perdura
O que se leva na bagagem
São as boas atitudes
Que acumulamos na viagem


Autor
Carlos  Marcos Faustino
08/12/2017 - sexta-feira – 15:14



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