quinta-feira, 20 de junho de 2013

Viagens aos tempos de criança


                                          Conto


Viagens aos tempos de criança


Chaminé! Não sei por que a chamavam assim.  As irmãs e o agregado ( um rapaz que morou uma temporada com a família) batiam palmas e provocavam o menino, enquanto repetiam alto o nome da menina. Chaminé! Chaminé! Chaminé!
Crianças geralmente não gostam quando fazem alusão a um possível namorico deles com alguém, principalmente quando esse alguém não é exatamente o tipo de pessoa que namorariam. O menino retrucou quase sem pensar soltando o verbo mesmo e acusando o rapaz que fazia as provocações junto com suas irmãs, dizendo que ele  então ficava cobiçando ( perdoem-me os leitores mais conservadores) as bucetas das meninas quando passavam pela rua.
O pai que acompanhava a cena,  ficou lívido, todos ficaram por momentos estáticos. A situação não ia tomar bons rumos.  De cinta em punho, pegou o menino e começou a surra-lo pra que ele nunca mais dissesse um palavrão daqueles, principalmente na presença de adultos. Foi preciso a interferência de uma vizinha por nome de Dona Laura pra que se encerrasse aquela terrível cena. O menino ficou com as costas toda marcada  pelas cintadas do pai.
Era assim que os filhos eram educados naqueles tempos. Mas esta não fora a primeira surra que tomara. Em tempos anteriores quando ainda moravam  numa outra cidade, certa feita, brincava o menino no portão com a irmã, abrindo-o e fechando, aproveitando para ambos subirem nele no momento em que se fechava. Ocorre que tinham um cão por nome de Tarzan que há tempos estava de marcação com um vizinho que sempre que passava por ali e ficava atiçando o cachorro através da cerca que circundava a casa.
Os meninos continuavam na sua inocente brincadeira e não perceberam que o tal vizinho se aproximava vindo pela rua em direção a eles ,pois,  residia bem ali ao lado. O cão quando o viu  aproveitando-se do momento em que o portão se abria,  saiu em disparada de encontro ao homem. Pulou contra o seu  peito e iniciaram um luta de vida ou morte. Todos ficaram apavorados porque não conseguiam separa-los, o cão não obedecia aos chamados tal a raiva que sentia. O remédio foi chamar o pai que estava trabalhando na serraria que ficava próxima  a rua que moravam. Subindo o barranco que limitava a firma  com a rua,  preocupado com o rumo que a s   coisas estavam tomando,  o senhor conseguiu separar a briga e em seguida foi atrás  dos culpados pelo acontecimento. As crianças correram e se esconderam em baixo da cama, mas o pai as achou castigando-as com algumas chineladas.
Ali naquela  final de rua que moravam, também  se reuniam com outras crianças em grandes brincadeiras. Foi ali naquela casa também que certa feita  o garoto ao subir na cerca para alcançar algumas amoras dum pé que ficava próximo a ela, caiu  e acabou se machucando.
Voltando  a cena em que apanhara do pai por dizer um  palavrão já morando em outra cidade, vale dizer também  que a casa que os acolhera quando chegaram de mudança na cidade não era nada que agradasse aos olhos e ao coração. Era uma casa velha sobre quatro estacas, com muita areia no quintal e também com uma frondosa paineira. Era muito comum quando anoitecia um cearense pegar o violão, sentar nos degraus de um velho prédio comercial que por ali havia e soltar a voz noite adentro :-“   Noite alta, céu risonho/ a quietude é quase um sonho/ O luar cai sobre a mata/ Qual uma chuva de prata/ De raríssimo esplendor/ Só tu dorme, não escutas o teu cantor...”
As lembranças daqueles primeiros anos de vida nunca mais saíram de sua imaginação, momentos tão felizes que mesmo depois de adulto ainda despertam as mesmas  emoções.

Autor
Carlos Marcos Faustino
21/03/2013- Sexta Feira- 01h57ms

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