quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O Paraíso das Baratas

                                               
                                                    
                                                           
                                                   O Paraíso das Baratas

 

As lamparinas acesas, reluziam como estrelas, vistas de fora, através da s   frestas da janela.As camas desencostadas das  paredes, e o receio  nas feições expressado , um misto de medo e de repugnância. Enfileiradas, como soldados no quartel   arregimentados, brancas, pretas, milhares delas,  as baratas.  Era sempre assim quando a noite chegava, mas mesmo com todos esses cuidados, uma ou outra sempre saia de suas fileiras, principalmente em tempos de noites mais quentes e voavam. Era uma velha casa de madeiras enegrecidas  pelas mãos do tempo. Era o paraíso das baratas. Supõe-se que  estivera muito tempo desabitada. A família que ali chegara não tivera muitas opções. Foi o que havia dado pra se alugar. Chegados de outra cidade onde o pai havia perdido o emprego, ali estavam. A casa ficava numa pequena rua na periferia da cidade. Luz, na casa não havia. No quintal um enorme paineira  e areia, muita areia. Soltaram no quintal o cão  e as galinhas que curiosas saíram explorando todo o espaço,no cisca-  cisca   o tempo todo em  busca de algum alimento. Um fábrica de fogos por vizinho, no enrolar das bombinhas um auto falante  tagarelando o tempo todo propagandas políticas. Era tempo de eleição para prefeito. Por ali também haviam outros vizinhos. A Avenida que passava ao lado da rua só tinha mesmo esse nome por ter. Era um rua longa, que ia embora, passava numa ponte na  baixada e subia preguiçosa rumo ao centro da cidade. Era uma poeira tremenda que se levantava quando algum carro às vezes passava. Era o caminho pro  cemitério , as pessoas se achegavam na esquina só pra ver o féretro passar ...  e também pra contar  os carros que acompanhavam o defunto. No fundo aquele  “conta -  conta “ era até uma espécie de diversão. Diziam  à boca pequena, que  aquela ponte era mal assombrada,. Quando tinha-se que se passar ali à noite  era só um abaixar de olhos , o coração em sobressalto e um disparo nas pernas  . Atravessava-se ali como se fosse o vento, ninguém queria experimentar  se expor  a esse contacto. E passaram-se meses, o pai adquiriu um pequeno terreno  no centro da cidade e  toda a família feliz da vida ia ajudar na construção da casa, pregando as tábuas das paredes  ora martelando os dedos, ora  pisando em formigueiros de  lava pés. Em fim  a casa pronta, um gramado verde natural  ladeava a parte principal da casa, um pé de primaveras enfeitava  com suas flores desabrochadas a construção terminada. Agora era só mudar  e dizer adeus  finalmente pro  Paraíso da s   Baratas.

 

 

 

Autor

 

Carlos Marcos Faustino

14/02/2013-  Quinta Feira – 15h47m

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