sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Meu pai ( conto)


                                             

                                                           Meu pai
 
Meu pai sempre teve uma vida difícil. Eram manhãs imensas que passávamos  ao redor do fogão de lenha, nos aquecendo no calor de suas chamas e absorvendo todas as suas historias.
Falava muito de sua infância, de como viviam isolados, longe das cidades. Sua mãe cedo partiu. Partiu mesmo, literalmente, tomou o filho mais novo nos braços  e quando numa manhã qualquer o sol raiou, meu pai, sua irmã  e meu avô, ficaram sós, naquele sertão de meu Deus, sem saber  se os que haviam partido conseguiram sair  com vida  daquela  mata virgem e repleta de perigos. Vieram doenças  e pra família que restou ficaram apenas muitos problemas e apenas um solução. Partir,  ir em busca de parentes  que estavam a muitas léguas  distante  dali. E foram assim caminhando, dia após dia, noite após noite. Cansaço, fome e dor. O meu avô a cada dez passos   que andava  caia sem forças. Estava terrivelmente doente.  Os pequenos  ainda de tenra idade,  saiam  em busca de água de algum riacho ou alguma mina  e também colhendo pequenos frutos que encontravam   ao longo do  caminho para suprir a fome a sede  que sentiam. Chegaram por fim num trecho que tinha uma mata  que  quando a noite chegava, tornava perigosa a sua passagem devido  a animais selvagens que por  alí habitavam. Era preciso atravessá-la  a fim de se aproximarem mais da casa da parente com a qual contavam ficar, afinal, as crianças  precisavam de uma figura materna, meu avô sabia disso, e temia também  por eles, caso a morte resolvesse levá-lo sem maiores  avisos.
Um  certo   cavaleiro cruzou com eles e ao  tomar conhecimento do que se passava, apiedou-se e resolveu ajudá-los. Na verdade morava naquelas redondezas onde estava desbravando uma parte da mata próxima a casa onde  morava . Acolheu-os em sua casa, deu-lhes  comida  pro corpo e pra alma. Deu-lhes repouso e tranqüilidade.  O dia veio mais bonito. A noite se fora sem sobressaltos. A viagem precisava continuar. O senhor que os havia acolhido arranjou-lhes cavalos  e atravessou com eles a mata, depois, despediu-se e voltou pra casa. Continuaram então a viagem a pé. E assim chegaram ao destino e a vida   começou a voltar ao normal.
                                         Quando meu pai, dava um suspiro fundo, enrolava o fumo de corda picado naquela palha e acendia o cigarro, a gente sabia , que teríamos novas historias nos dias seguintes. Então ele botava o chapéu na cabeça nos dava uma breve caricia e saía para trabalhar. E meu pai ia assim, dia após dia, narrando suas memórias em forma de aventuras  e nós crianças sonhadoras que éramos, construíamos em  nossas mentes verdadeiros quadros vivos daquela saga.
Historias de meu pai ( autor  Carlos Marcos Faustino) 04/01/2013- sexta feira- 19h38m

 

Um comentário:

  1. nos chamamos de paim aquilo que por anos é espelho, nossa imagem a ser seguida, podemos não acaeitar, mas temos muito deles em nossos, espelho que um dia vamos nos tornar, Carlos parabens pelo texto, está ótimo!

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