terça-feira, 9 de outubro de 2012

Conversas


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Conversas
Pai, você se lembra  de quando  eu era menino,
Você me levava ali na praça da estação, lembra bem
E ficávamos vendo as pessoas, os automóveis, os trens,
 eu ficava dividindo com  você  os carros que víamos,
os calhambeques eu dizia que ao crescer te daria
E os cadilacs seriam meus, você somente sorria.
Pai você se lembra  daquele  outro dia
Quando  você arrumava  a cadeira preguiçosa sua
E sem fixá-lo, havia apenas de leve  colocado o pano,
E u chegando das minhas brincadeira  na rua
Jogando-me sobre ela, com  a minha bunda no chão eu batia
Pai  , você inda se lembra daqueles  dias,
 Quando saías pra trabalhar  na serraria
Alimentando o vapor, com pó de serra e com teu suor
 Pai, como eram doces para nos aqueles  tempos
Foram tantos janeiros,  foram tantos  dezembros
Pai, eu era bem  pequeno mas inda me lembro
Das  surpresas que tu trazias   todas as noites para nós,
Dois saquinhos de pipocas, nos bolsos do seu paletó
Pai  tu te  lembras  ainda   dos Natais e dos brinquedos
. A gente na véspera, inocente,  colocava os sapatinhos
e quando no dia seguinte acordava, la estavam os presentes,
 eram tantos os meus carrinhos,  era tão grande o seu carinho
Pai, tu te lembras do Tarzan, nosso cachorro,
te lembras quando eu e minha irmã
Brincávamos no portão, naquele  ir e vir
Abrindo e fechando, fechando e abrindo,
Daí, aquele vizinho, apareceu no final da rua
 E o nosso cão aproveitou a brecha
E como se  fora uma flecha, ou um tiro de canhão,
Atirou-se de encontro ao vizinho, e rolaram pelo chão
Foram chutes, foram uivos, naquela luta constante.
Você veio apavorado, O cão arfando de um lado
 e o vizinho foi separado com as mãos pingando sangue
Pai, você se  lembra  dos trens das nove, dos trens  das sete,
Das  nossas viagens, das idas nas segundas,
Das voltas  nos finais de semana
Pai, você se lembra dos  nossos abraços
Dos nossos  olhos molhados, quando eu chegava
Ou quando eu partia
Como eram doces  aqueles dias

6 comentários:

  1. Alma pura...Belas recordações em nobre poema.
    De todos que já postou aqui, diria que este é o mais envolvente...traz a emoção à flor da pele...Parabéns,Faustino! Superando e surpreendendo...

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  2. Sonia Lopes
    Que coisa linda e melancólica! Saudades do tempo em que a simplicidade imperava.Éramos felizes!
    08 de abril de 2017 às 15:52

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  3. Valter Hernandez
    Belos tempos.
    10 de abril de 2017 às 17:03

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  4. Sonia Gava Rodrigues
    Que maravilha!
    10 de abril de 2017 às 22:38

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  5. Nely Lopes
    Como você guarda tudo? Bons tempos...
    11 de abril de 2017 às 00:04

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  6. Tania Maria Gimenes Brochini
    Quantas lembranças boas. Era tão simples ser feliz.
    11 de abril de 2017 às 00:28

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